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sábado, 26 de março de 2011
Nosso Adeus a Lula Côrtes
Faleceu, hoje de madrugada, o multi-artista e amigo Lula Côrtes, após anos de convivência criativa e produtiva com um câncer na garganta.
Perceba que quando falo "amigo", não faço isto apenas no contexto pessoal.
Se existe um legado deixado por este carinha inquieto que pintou e bordou durante toda a vida, era sua imensa capacidade de fazer amigos, e por acidente de percurso, alguns inimigos - e que se deixe claro que ser ou não ser amigo de Lula era coisa de minutos, por motivos meramente passionais e irremediavelmente baseado na extrema admiração que costumava despertar em todos.
Lula nunca foi santo, e por isso mesmo era Lula Côrtes. Controverso, maluco, bipolar.
Toda esta inquietude se transformava em arte de todas as formas possíveis e imagináveis. Era artista plástico, músico, escritor.
Gostava tanto de ver o circo pegar fogo que não pensava duas vezes antes de levantar a bola de um novo artista, uma nova banda, uma pessoa interessante. Ele queria era ver coisas acontecerem.
Para todos nós que vivemos de Blues, Rock'n'Roll e outras doideiras, Lula sempre foi um exemplo de como fazer as coisas acontecerem do zero, de como se movimentar independente dos interesses alheios, e acima de tudo um exemplo positivo de transgressão produtiva.
Afinal, o que dizer de um roqueiro que fazia shows viscerais aos berros e em alto volume com um diabo de um câncer na garganta até os últimos dias de vida?
Dos que pensam que isto o poderia ter levado mais cedo, me desculpe por discordar. Que jamais ninguém o critique por ter escolhido viver intensamente cada ano de vida que passou convivendo com esta doença. Pode acreditar, ele fez a coisa certa - e viveu bem mais que qualquer prognóstico médico poderia suspeitar.
Não, caros amigos. Não é hora de tristeza. Lula e todos os que conviviam com ele já sabiam que este momento chegaria mais cedo ou mais tarde.
É hora de comemorar e relembrar cada momento de prorrogação do tempo regulamentar que teve junto a cada um de nós, e cada pedaço de genialidade que deixou para que a gente fique esmiuçando, estudando e recriando para o futuro.
Tomem uma dose de 12 anos por ele e guardem sua alegria na memória.
Seja lá onde estiver neste momento, sei que ele vai armar a maior zona por lá e sair mudando tudo pra melhor, assim que desfizer as malas.
A gente vai sentir falta por aqui. Mas seria egoísmo de nossa parte pedir bis a esta altura.
Simbora Lula! Leva um abraço da gente, e até logo mais.
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Conheci Lula Cortês no Carnaval de 2011, em Recife, um mês antes dele falecer, durante ensaio com Alceu Valença para a série de shows que eles fizeram em Sampa. Chegou com um instrumento esquisito e tirou o maior som. O cara era cheio de histórias. Figuraça! O céu deve estar mais feliz agora.
ResponderExcluirLembro de Lula Cortes nos idos de 1990, todo sabado no bar SUSHI ( perto do estadio da Ilha do Retiro), junto com Ma companhia, que na epoca tinha o grande Bicudo na guitarra, que tocava sempre "Sultans of Swing" com verdadeira maestria. Xandinho tocava suas influencias como Bob Dylan ( "Everything is Broken") e sempre aparecia Lula Cortes, que cantava um blues inesquecivel : " eu levantei esta manha..tan taaan ta tan... voce nao estava mais aqui... ( que depois eu descobri que o autor era Marcelo Nova do Camisa de Venus). Noites memor'aveis de Puro Rock and Roll, que me faziam voltar pra casa de bem com a vida nos meus 20 anos de idade. Obrigado a Lula Cortes e sua Ma Companhia pelo Rock and Roll como deve ser feito ( honesto, instigante, na veia...)
ResponderExcluirFred Lima